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Gilberto Mauro estreia “As Sete Cirandas Místicas” em espetáculo gratuito 25 de julho em BH

Show  reúne 14 músicos no Teatro de Arena do Parque Lagoa do Nado e marca  mais de três décadas de pesquisa  sobre escalas modais, música de câmara e experimentação sonora

Mais de três décadas de pesquisa e criação musical resultam em um espetáculo que une música de concerto, canção, rock progressivo e experimentação sonora. É essa trajetória que o compositor mineiro Gilberto Mauro apresenta ao público em As Sete Cirandas Místicas, projeto que estreia no próximo sábado, 25 de julho, às 17 horas, no Teatro de Arena do Parque Lagoa do Nado, em Belo Horizonte.

Com entrada gratuita, o espetáculo reúne 14 músicos em cena e marca o lançamento de um álbum duplo, que apresenta uma mesma obra em duas linguagens musicais: uma concebida para quarteto de cordas e outra em formato de banda, ampliando as possibilidades estéticas da composição.

Mais do que lançar dois discos, o projeto convida o público a acompanhar o percurso criativo de uma mesma composição sob perspectivas distintas. Enquanto a versão camerística evidencia a arquitetura melódica e contrapontística da escrita musical, a formação em grupo incorpora voz, guitarras, instrumentos populares e novas texturas sonoras, estabelecendo um diálogo entre diferentes tradições musicais.

Pesquisa musical

As Sete Cirandas Místicas é o 10 nasceu de uma investigação desenvolvida por Gilberto Mauro sobre as escalas modais e sua presença na cultura brasileira e em diversas tradições musicais ao redor do mundo.

A pesquisa parte da observação de que determinadas estruturas melódicas, associadas historicamente a manifestações ritualísticas, religiosas e populares, permanecem presentes em diferentes culturas, atravessando séculos e geografias. A partir desse universo, o compositor construiu sete movimentos que exploram o caráter simbólico dessas sonoridades por meio de uma escrita que combina rigor formal, liberdade criativa e forte apelo melódico.

O resultado é uma obra que aproxima a música de concerto da escuta contemporânea, preservando a sofisticação da escrita camerística sem abrir mão da comunicação direta com o público.

Uma obra que amadureceu durante três décadas

A primeira versão de As Sete Cirandas Místicas foi escrita por Gilberto Mauro há mais de trinta anos. Naquele momento, a composição possuía um caráter fortemente intuitivo e contemplativo. Anos depois, o compositor decidiu revisitar a obra, iniciando um amplo processo de reescrita. Dos manuscritos originais permaneceram principalmente os temas musicais, enquanto praticamente toda a estrutura foi reconstruída sob uma perspectiva mais madura e refinada. Desde sua concepção, Gilberto Mauro buscava aproximar a simplicidade das cantilenas e das canções populares da elaboração formal característica do quarteto de cordas. Essa ideia permaneceu como eixo da composição e, agora, amplia-se com uma segunda leitura em formato de banda, revelando diferentes possibilidades interpretativas para o mesmo material musical.

Um espetáculo em dois momentos

O espetáculo foi concebido em duas partes.

Na primeira, Gilberto Mauro Grupo apresenta composições que percorrem diferentes momentos da trajetória do compositor, revisitadas em novos arranjos.

Na segunda parte, o público acompanha a estreia de As Sete Cirandas Místicas em suas duas versões. Primeiro, interpretada pelo quarteto de cordas formado por Edson Queiroz de Andrade (violino), Vitor Dutra (violino), Joice Rafaella Coutinho (viola), Antônio Maria Pompeu Viola (violoncelo) e  Edson Queiroz, violista renomado, professor da UFMG. Em seguida, a obra ressurge na formação de banda, expandindo suas possibilidades sonoras.

Encontro de gerações e trajetórias

Além de Gilberto Mauro, o espetáculo reúne músicos de reconhecida atuação na cena musical mineira. A cantora Fernanda de Paula, convidada especial da montagem. Cantora, compositora, poeta e preparadora vocal, construiu uma trajetória marcada pela pesquisa da música brasileira e da cultura popular, integrando grupos como Sagarana, Camiranga e Quatro Cântaros, além de participar de diversos projetos fonográficos e cênico-musicais no Brasil e no exterior.

Outro destaque é o violoncelista Antônio Maria Pompeu Viola, ex-primeiro violoncelo da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, professor universitário por mais de duas décadas e atual presidente do Sindicato dos Músicos Profissionais de Minas Gerais. Sua presença reforça o diálogo entre a tradição da música de concerto e a proposta contemporânea do projeto.

Gilberto Mauro. Foto de divulgação por Mateus Leite

O compositor

Compositor, instrumentista e pesquisador musical, Gilberto Mauro desenvolve uma produção marcada pela experimentação e pelo diálogo entre diferentes linguagens musicais. Ao longo de sua carreira, construiu uma obra autoral que transita entre a música instrumental, a canção, a pesquisa modal e a música de concerto, buscando integrar elaboração estética e comunicação com o público.

Em As Sete Cirandas Místicas, essa trajetória alcança um momento de síntese, reunindo décadas de pesquisa em um projeto que evidencia a maturidade artística do compositor.

Instagram: @gilbertomauro_compositor

Crédito da Foto: Mateus Leite

Sobre o projeto

As Sete Cirandas Místicas foi realizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, por meio do Ministério da Cultura e da Secretaria Municipal de Cultura de Belo Horizonte. O projeto reafirma o compromisso de Gilberto Mauro com a criação autoral, a pesquisa musical e a valorização da produção artística brasileira, aproximando a música de concerto e a música popular em uma proposta estética singular.

Músicos integrantes:

  • Gilberto Mauro – piano, voz e guitarra

  • Fernanda de Paula – voz

  • Saulo Fergo – guitarras, viola e voz

  • Ricardo Prates – viola caipira e bandolim

  • Getúlio Prates – baixo elétrico

  • D’Artagnan Oliveira – bateria

  • Mateus Espinha – bateria e percussão

  • Marcos Alves – vibrafone

  • José Dias – contrabaixo acústico

  • Edson Morais – saxofone e aerofone

  • Edson Queiroz – violino

  • Vitor Dutra – violino

  • Joice Rafaella Coutinho – viola

  • Antônio Maria Pompeu Viola – violoncelo

Ficha técnica

  • Produção: ICTA

  • Sonorização: Meriva e Sonoriza Sonorização

  • Iluminação: Júlia Teles

  • Registro audiovisual: Josélio Teixeira

SERVIÇO

As Sete Cirandas Místicas – Gilberto Mauro Grupo
Lançamento do álbum duplo “As Sete Cirandas Místicas”
25 de julho (sábado) – 17 horas
Teatro de Arena do Parque Lagoa do Nado – Belo Horizonte
Entrada gratuita

Fórum da Música de Minas Gerais tem etapa regional em Ipatinga


Por Kênia Nicácio

Num estilo roda de conversa músicos e agentes culturais se reuniram em Ipatinga nesta quinta-feira, 9 de julho.

O mediador foi o técnico de som, baterista e produtor cultural Lucas Mortimer, também candidato a deputado federal, pelo Psol-MG.

“Foi o segundo encontro desse pessoal de responsa, neste ano”, segundo Mortimer. O primeiro ocorreu na Galeria Olho em Timóteo-MG.

Com que finalidade? Implementar o processo de regionalização do Fórum Música Minas e descentralizar esta área da grande Belo Horizonte (capital que já se conecta há muito tempo neste sentido) e cobrar atenção dos órgãos públicos — secretarias de cultura – para projetos culturais e políticas públicas para a  cultura e a música.

Além de apresentar o projeto Música Minas – memória, presença e futuro, o evento foi “importante para causar discussões, que não são pautadas, em função do relaxamento casual capitalista que vivemos no Vale do Aço”, segundo Lucas Alvarenga, dono da Casa Ganja Horto, onde foi realizada a roda de conversa.

Os participantes tiveram a oportunidade de se apresentarem e dizerem quem e o que estavam representando. Cada um teve lugar de fala, de modo respeitoso e descontraído.

Teve início, pois, um movimento que estava “adormecido e, agora, é só prosperidade”, expressou Deborah Braga, produtora cultural. “As lutas, angústias compartilhadas fizeram parte do que iniciou-se no coletivo”, para a produtora cultural Jaqueline Costa Lage, que se disse contente com a proposta de Mortimer de regionalizar o Fórum:“Ajuda muito, é super válido” o fato do Mortimer se colocar à frente desse trabalho, de a cultura ocupar espaços como o federal também e propor que o debate das questões relativas à música e à cultura seja ampliado no Vale do Rio doce (Vale do Aço)”.

Alvarenga ainda pensa que “é necessário curar as raízes da cultura e transformar o que há, hoje, numa coisa que a gente idealiza. Que esta energia boa que o Mortimer provocou traduza-se em atitudes”.

A jornalista, produtora cultural e pré-candidata à Deputada Estadual (Psol-MG) Brenda Marques Pena associada fundadora do Instituto Imersão Latina destaca que  “a cultura não se faz apenas nos palcos, mas também nos espaços de participação social. “Quando artistas, produtores, pesquisadores e gestores se reúnem para dialogar, fortalecem sua capacidade de contribuir para as políticas públicas e ampliam o reconhecimento da cultura como um direito e como um instrumento de desenvolvimento humano, econômico e social”.

Construir redes de diálogo e cooperação como o Fórum da Música de Minas Gerais faz é “essencial para que a cultura continue transformando territórios, conectando pessoas e fortalecendo nossa identidade”, complementa.

Tentar aprofundar nas questões e incidir sobre os direcionamentos dos recursos da política Aldir Blanc, por exemplo, e de outras políticas como o Fundo Estadual de Cultura e os fundos municipais, pra que isto chegue na ponta pra quem precisa é tarefa mais que urgente, de acordo com Mortimer, que considerou o evento positivo.