Monthly Archives: dezembro 2019

Vozes indígenas da América Latina conduzem documentário lançado na COP-25, em Madri

O protagonismo de 24 representantes de diferentes povos indígenas conduz o roteiro do documentário “Vozes Indígenas da América Latina: nós somos o documento da Terra”, lançado nesta sexta-feira (06/12), no espaço destinado à sociedade civil, paralelo ao evento oficial da Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (COP-25), em Madri, na Espanha. Ao longo de praticamente meia hora, as narrativas traduzem um “grito de alerta” sobre seus direitos violados e a relação secular que os indígenas têm com a “Pachamama” (Mãe Terra), que faz com que exerçam o papel de defensores ambientais e climáticos. São vozes que representam povos originários especialmente da América do Sul: da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru e Venezuela. A realização é uma parceria do Programa 350.org Indígena, do Instituto Arayara e da Coalizão Não Fracking Brasil e América Latina (COESUS) .

As narrativas são divididas em cinco capítulos: Mudanças climáticas; Água; Consulta prévia; Combustíveis fósseis; e Territórios. O recado central que emerge durante esta trajetória temática expõe um olhar de respeito da relação do ser humano com a natureza e propõe a seguinte reflexão – ‘Enquanto houver um braço de rio, uma árvore em pé, uma floresta preservada, um animal vivo, o sol nascendo e da terra brotando o alimento…. nós, os povos indígenas e originários, estaremos lutando pela nossa Terra. Nós resistiremos às mudanças climáticas provocadas pela ganância desenfreada de vocês. E vocês, resistirão?”.

O público consegue viajar a todas regiões do Brasil e aos Andes, com as falas sensíveis e ao mesmo tempo incisivas de homens e mulheres indígenas de diferentes idades e culturas. O fio condutor de abertura e entre cada manifestação é conduzido pelo indígena equatoriano Yaku Pérez Guartambel, que tem uma extensa bagagem na área dos direitos humanos e indígenas, e do direito ambiental, com ênfase nos recursos hídricos internacionalmente. ““Minha demanda na COP-25 é principalmente dirigida aos governos no mundo e sobretudo a multinacionais, que parem com esta voracidade pelo extrativismo que ameaça povos e gera violência”, diz.

Trabalho de escuta

“Esse documentário foi o trabalho de um ano inteiro indo nas aldeias e ouvindo as vozes dos diversos povos. Cada vez que mergulho na visão indígena percebo como nós, brancos, podemos ser melhores no combate às mudanças climáticas. Percebo o quanto precisamos aprender que somos parte da natureza e não que ela existe para nosso uso e comercialização”, diz Nicole Oliveira, diretora da 350 América Latina e que apresentou o audiovisual  hoje, na COP.

Para Andréia Takua, coordenadora do Programa Indígena da 350.org América Latina, dar voz aos povos originários é fundamental para o futuro das novas gerações. “Nós, indígenas, temos uma ligação direta com a natureza, e este documentário conseguiu retratar nossa visão. Queremos muito que o mundo veja o planeta com as nossas lentes, porque nós não podemos ficar reféns das indústrias. Respeitar o meio em que vivemos é dever de todos, afinal, as mudanças climáticas afetarão todos: indígenas e não indígenas”.

Sobre a 350.org e as mudanças climáticas

A 350.org é um movimento global de pessoas que trabalham para acabar com a era dos combustíveis fósseis e construir um mundo de energias renováveis e livres, lideradas pela comunidade e acessíveis a todos. Nossas ações vêm ao encontro de medidas que visem inibir a aceleração das mudanças climáticas pela ação humana, que incluem a manutenção das florestas.

Desde o início, trabalha questões de mudanças climáticas e luta contra os fósseis junto às comunidades indígenas e outras comunidades tradicionais por meio do Programa 350 Indígenas e vem reforçando seu posicionamento em defesa das comunidades afetadas por meio da campanha Defensores do Clima. Mais uma vertente das iniciativas apoiadas pela 350.org é da conjugação entre Fé, Paz e Clima.

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Sucena Shkrada Resk – jornalista ambiental, especialista em política internacional, e meio ambiente e sociedade, é digital organizer da 350.org Brasil

Hoje tem Imersão Cultural em Belo Horizonte na Casa dos Jornalista!

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“Lembrar é resistir”. Então, no mês em que a promulgação do Ato Institucional nº 5 completa 51 anos, venha participar conosco do Debate “AI-5- Censura nunca mais”, bem como das outras atividades do evento “Imersão Cultural”.

Data: 04 de dezembro, às 19 hs
Local: Casa dos Jornalista
Endereço: Av. Álvares Cabral 400

Programação:

19 horas: Debate sobre AI-5 – Censura Nunca Mais
Historiadora e pesquisadora Dalva Silveira, Jornalista e poeta Rogério Salgado
Mediação: jornalista Brenda Marques
Exposição e venda dos Livros dos palestrantes:
De Realidade a Caros Amigos: a Turma do Ex-, imprensa alternativa e seu legado (Letramento, 2018), de Dalva Silveira
AI-5, de autoria dos poetas:
Bilá Bernardes, Irineu Baroni, Petrônio Souza Gonçalves, Rogério Salgado e
Helenice Rocha (falecida em julho deste ano).

20h Lançamento do livro:
Tempo de Liberdade, de Maria Delboni
(Recital da autora e autógrafos)

21h Sarau poético-musical
Duo Sussuros (Elcio Lucas e Brenda Marques),
Nós da Poesia
Homenagem à Helenice Rocha
(poeta integrante do Nós da Poesia, que faleceu em julho deste ano)

Realização: Instituto Imersão Latina
Apoio: Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais e
Ajeb-MG (Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil – Coordenadoria Minas Gerais)

Confirme sua participação: https://www.facebook.com/events/814657718996805/

Dos debatedores:

Dalva Silveira nasceu em Belo Horizonte/MG em 1967. Graduou-se em História pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e concluiu sua especialização em Ensino Técnico pelo Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG), desenvolvendo o projeto A importância da História local – O Parque Municipal como espaço de aprendizagem. Defendeu o mestrado e o doutorado em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), respectivamente, com os títulos A vida não se resume em festivais: um estudo das representações sobre Geraldo Vandré na imprensa brasileira (1966-2009); e A “Turma do Ex-” e a ditadura militar: os oito anos de guerrilha jornalística e seu legado.

Ministra palestras e desenvolve pesquisas sobre o período da ditadura militar, com ênfase no campo da música e da imprensa alternativa das décadas de 1960 e 1970. É autora de Geraldo Vandré: a vida não se resume em festivais (Fino Traço, 2011) e De Realidade a Caros Amigos: a Turma do Ex-, imprensa alternativa e seu legado (Letramento, 2018), tendo ainda vários artigos publicados na internet, em periódicos acadêmicos, revistas, jornais e também outros livros em coautoria. Foi professora da Rede Pública e Particular de Ensino de Belo Horizonte/MG e atualmente é funcionária do CEFET-MG, atuando na biblioteca.

Rogério Salgado nasceu em Campos dos Goytacazes/RJ. Em 1980, com a morte da mãe, mudou-se para Belo Horizonte/MG. Em 1983, criou com Ecivaldo John e Virgínia Reis, a revista Arte Quintal, um dos mais importantes veículos culturais da época. Em 2000, criou com outros poetas, o Sarau da Lagoa do Nado, dando inicio à efervescência poética que iria crescer nos próximos anos na capital mineira. Criou e realizou entre 2005 e 2014 com
Virgilene Araújo, o Belô Poético – Encontro Nacional de Poesia de Belo Horizonte, evento este que reunia na capital mineira, poetas de diversos estados do país e do exterior.

Também com Virgilene Araújo, idealizou e realizou o projeto Poesia na Praça Sete, em Belo Horizonte/MG, que teve cinco edições, projeto esse realizado com os benefícios da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte. Figura em muitas antologias, entre elas: A Poesia Mineira no Século XX (Imago Editora-1999), organizado por Assis Brasil. Com diversos livros publicados, publicou em 2015 o livro de memórias Poeta Ativista, comemorando 40 anos de carreira literária. Em 2020 estará comemorando 45 anos de carreira literária.