POPULAÇÃO EQUATORIANA PROTESTA CONTRA INVASÃO DE COMPANHIAS ESTRANGEIRAS

Há oito dias, a população das províncias amazônicas de Sucumbíos e Orellana, principais centros petrolíferos do Equador continuam protestando contra as companhias estrangeiras. Os manifestantes em paralisação tomaram o controle de dezenas de poços petrolíferos e bloquearam as rodovias, o que tem sido duramente combatido pela força pública. A Cruz Vermelha Equatoriana informou que, nos distúrbios registrados em Lago Agrio, capital de Sucumbíos, foram atendidos, no sábado, 28 pessoas com sintomas de asfixia, por efeito do gás lacrimogênio e três que sofreram agressões. Na quarta, quinta e sexta-feira, também foram auxiliados 27 asfixiados, 16 agredidos, principalmente pelo impacto de bombas de gás lacrimogênio. Na sexta-feira, foram detidos o prefeito de Sucumbíos, Guillermo Muñoz, e o prefeito de Lago Agrio (capital desta província), Máximo Abad, que integram a denominada assembléia bi-provincial, que convocou a paralisação. O governo tem insistido que está aberto ao diálogo, desde que a paralisação seja finalizada.

Em comunicado, o Comitê de Imprensa da Paralisação declarou no final de semana que não há negociação possível com o governo. A possibilidade de diálogo tentada na manhã de sábado, fracassou. De acordo com a Comissão Ecumênica de Direitos Humanos, a Comissão de Direitos Humanos de Lago Agrio visitou os detidos na Delegacia de Polícia desta cidade descobrindo sinais de tortura. Quatorze pessoas estariam reclusas numa cela de três por dois metros com o agravante de que, a cada meia hora, colocam uma bomba lacrimogênia no interior da cela. Também se acusa que, à noite, as pessoas detidas são obrigadas a caminhar, enquanto são agredidas.

As notícias de que têm havido grandes perdas econômicas e financeiras no país por causa paralisação de Orellana e Sucumbíos são, segundo os grevistas, parte da mesma "farsa planejada pelas transnacionais e seus cúmplices do governo". "Aqui, ninguém tem queimado o petróleo, nem foi levado, o petróleo continua nos poços. O que se tem feito, com esta medida, é impedir que o petróleo flua pelas tubulações. Portanto, o Equador estaria deixando de ganhar, nestes dias, algum dinheiro, que, facilmente, é recuperável no futuro".

Uma das condições que permitam entabular o diálogo deve ser deixar fora de suas funções o atual governador e manter, com firmeza, os pontos da plataforma de luta que são: a caducidade dos contratos celebrados entre o Estado equatoriano e as petroleiras Occidental-Oxy e Encana; revisão de todos os contratos com as companhias petroleiras, com melhores condições para o país; e cumprimento de todos os acordos firmados anteriormente, entre a Assembléia bi-Provincial e o Governo Nacional.

Agência de Informação Frei Tito para a América Latina, 22 de agosto de 2005