06 de Dezembro - 2006
OIT DIZ QUE SALÁRIO MÍNIMO CRESCEU 4,7% NA AMÉRICA LATINA

O relatório “Panorama do Emprego 2006”, da Organização Internacional do Trabalho (OIT), constata que houve, nos três primeiros trimestres de 2006, um aumento de 4,7% dos salários mínimos na região da América Latina e Caribe. O aumento acompanhou o crescimento real dos empregos industriais, que cresceram em média 3,9% no período considerado dos três primeiros trimestres de 2006 em comparação a igual período do ano passado.

Conforme o relatório, “os salários reais industriais cresceram em todos os países da região (que enviaram informação à OIT), enquanto os salários mínimos reais aumentaram, numa tendência fortalecida por um maior controle da inflação, mas nem todos os países alcançaram, em termos reais, os salários mínimos que tinham no começo dos anos 90”.

O documento da OIT, divulgado hoje (6) pela diretora do escritório da entidade no Brasil, Laís Abramo, mostra que os resultados positivos alcançados tanto em emprego quanto no valor real dos salários corroboram a concepção do organismo de que “o crescimento econômico é condição necessária para alcançar o progresso social e do trabalho, mas não é o suficiente por si só para criar a quantidade de postos de trabalho, da qualidade que requerem os países da região".

Segundo a OIT, é necessário contar com políticas econômicas e sociais destinadas a "impulsionar o trabalho decente". De acordo com o relatório, o objetivo é conseguir alcançar a primeira meta do milênio da Organização das Nações Unidas (ONU), ou seja, reduzir pelo menos à metade a incidência da extrema pobreza na América Latina e Caribe até o ano 2015 e contribuir para a redução das desigualdades sociais. O relatório considera que, dificilmente, nessas condições, a região alcançará essa meta.

Os salários industriais no Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Equador, México, Uruguai e Venezuela, países que representam 84% da População Economicamente Ativa (PEA) urbana da região, tiveram um incremento de 3,9% em média no terceiro trimestre (julho, agosto e setembro) de 2006, enquanto o salário mínimo da região aumentou 4,7%, no mesmo período.

O Brasil vem em segundo lugar (13,0%) entre os maiores aumentos do salário mínimo (o Uruguai ficou em primeiro, com 17,2%, e a Argentina em terceiro, com 12,4%).

Fonte: André Arrais - Agência Brasil
Foto da Capa: Valter Campanato - Agência Brasil

Marcha de trabalhadores brasileiros pede mínimo de R$ 420 e correção do Imposto de Renda

Cerca de mil trabalhadores de diversas categorias, entre agricultores, metalúrgicos e bancários, além de aposentados, saíram, na manhã de hoje (6), em marcha do Estádio Mané Garrincha rumo à Esplanada dos Ministérios e à Praça dos Três Poderes, em Brasília, capital federal do Brasil. Eles participam da 3ª Marcha Nacional pela Valorização do Salário Mínimo, que pede reajuste de 20% para o salário e correção de 7,7% na tabela do Imposto de Renda Pessoa Física.

Com isso, o salário mínimo passaria dos atuais R$ 350 para R$ 420 e diminuiria o imposto pago pelo trabalhador. As centrais sindicais também reivindicam a implementação de uma política de Estado de valorização permanente do salário mínimo, que o eleve, nos próximos anos, aos valores preconizados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que mede o índice do custo de vida no país.

Para o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Manoel dos Santos, o salário mínimo é o maior instrumento de unificação do conjunto dos trabalhadores brasileiros. “Sem dúvida, é o principal instrumento de distribuição de renda da classes sociais menos favorecidas, e há muito o Brasil vem deixando o salário mínimo como uma proposta sacrificada”. Segundo Santos, das três marchas realizadas até hoje, essa é a melhor, mais forte e mais organizada.

O secretário de Assalariados Rurais da Contag, Antônio Lucas Filho, avalia que qualquer aumento conseguido irá beneficiar imediatamente os trabalhadores do campo. “Nós, da Contag, estamos empenhados nisso, porque a maioria dos trabalhadores rurais recebe hoje no campo com base no salário mínimo”. Segundo ele, 90% dos benefícios rurais concedidos pelo governo também estão vinculados ao salário mínimo.

“A gente sabe que o presidente Lula não vai regredir dos valores que já estão aí. Se a gente pegar o último valor que foi pago, 16,67%, que foi para R$ 350, só isso já representa um salário de R$ 375. Então, no mínimo teria de ser isso”, diz Antônio Lucas.

O lavrador aposentado Pedro Frederico Moreira, de 68 anos, veio do município de Posse, em Goiás, participar da marcha. Ele afirma que o salário mínimo ajuda muito no sustento, mas não é suficiente para terminar de criar os 10 filhos. “Meu sonho é ter um lugar para trabalhar para eu ter as coisinhas de comer lá dentro da minha casa, e deixar esse dinheiro que o governo me dá para comprar remédio, roupas, essas coisas, e trabalhar para manter o meu pão de cada dia”.

As centrais sindicais estimam a presença de 10 mil trabalhadores participando da marcha. Após o encerramento das manifestações na Esplanada dos Ministérios, os principais dirigentes vão se reunir no seminário Valorização do Salário Mínimo e Desenvolvimento, daqui a pouco, no auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados.

Além da Contag, participam da marcha representantes da Central Únicas dos Trabalhadores (CUT), da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), da Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT) e da Central Autônoma de Trabalhadores (CAT).

Fonte: Irene Lôbo - Agência Brasil

*Rita de Cássia Arruda é Assessora de Imprensa do Conselho Federal de Economia Esta reportagem foi publicada originalmente no site www.cofecon.org.br