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19 de abril - 2007
ESPECIAL: 19 DE ABRIL: DIA DO ÍNDIO BRASILEIRO
AOS POVOS DA TERRA
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Dia 19 de abril se comemora o dia do índio no Brasil. Em pouco mais de 500 anos já foram extintos 1.400 povos. Hoje, no Brasil resistem apenas 241 nações. O homem branco que invadiu as terras indígenas rasgou campos, construiu cercas e se diz dono. Ao longo dos tempos os povos originários foram sendo confinados – numa espécie de favor especial – em reservas, onde praticamente não conseguem por em prática sua forma de viver original. A jornalista Elaine Tavares faz uma homenagem aos Pataxós. O Projeto Imersão Latina homenageia neste dia a todos as tribos brasileiras por acreditar na luta desses povos. Temos que aprender com eles a viver em harmonia com a terra. Toda a América Latina precisa respeitar aqueles que são os verdadeiros donos de nosso território.
Todo apoio aos Pataxós Hã-Hã-Hãe
Por Elaine Tavares – jornalista no Ola/UFSC*
Quem já estudou a história do nosso país sabe. Foi bem ali, na Bahia, num lugar mais tarde denominado Porto Seguro, que as caravelas portuguesas aportaram e – na visão européia – “descobriram” o que depois chamaram de Brasil. Mas, na verdade, a terra que “descobriram” já estava coberta de gente. Um povo bonito, guerreiro, que tinha seus deuses e tradições. Gente que ali vivia há gerações, com outra língua e outra forma de se organizar no mundo.
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Cabral e seus comandados, incapazes de compreender a língua – diferente – os rotularam como “não-humanos”. Afinal, como podiam não falar o português, não usar roupas fedidas e não conhecer Jesus? E, se não eram humanos, não havia com o que se preocupar. Caso não aprendessem a língua em tempo recorde e não ajoelhassem diante da cruz, o certo era dizimá-los. E assim foi. Por séculos. Uma a uma foram sendo destruídas as etnias que caminhavam pelas terras deste lado do mundo. As gentes originárias não tinham a idéia de que a terra podia ser posse de um ou de outro. Para eles, a terra sempre foi sagrada, coletiva, mãe, geradora de vida. Nunca compreenderam a sanha portuguesa pela cerca, pela propriedade privada.
Mas, a força das armas estrangeiras se mostrou poderosa. Em pouco mais de 500 anos já foram extintos 1.400 povos. Hoje, no Brasil resistem apenas 241 nações, algumas delas quase terminais. O homem branco que invadiu suas terras rasgou campos, construiu cercas e se diz dono. Ao longo dos tempos os povos originários foram sendo confinados – numa espécie de favor especial – em reservas, onde praticamente não conseguem por em prática sua forma de viver original. E ainda assim, os povos originários precisam lutar – e muito – para ver demarcadas essas regiões de confinamento, o que é um triste paradoxo.
Agora, os Pataxó Hã-|Hã-Hãe, povos originários da região de Porto Seguro, o lugar do “descobrimento”, estão para viver mais um momento de dor e destruição. A Justiça exige que saiam de seu território, de suas terras, de seu lugar. E por quê? Porque uma empresa – pasmem – de celulose insiste em dizer que é dona do lugar. Teve ganho de causa e os Pataxós terão de sair. A justiça branca deve ter visto os papéis. Deve haver escrituras, herdeiras da invasão lá dos 1500. Pobre dos Pataxós que nunca lavraram escrituras porque nunca aprisionaram a terra.
A desocupação dos Pataxós está marcada para o dia 17 de março. É, agora. Possivelmente a Globo vai estar lá mostrando o quanto são “violentos e animalescos” esses índios estúpidos que não sabem que há leis e que elas devem ser cumpridas. Certamente a mídia vai dizer que a ordem precisa ser mantida a qualquer custo. E se os Pataxós decidirem lutar, ou quem sabe destruir um laboratório... Ah, aí vai ser um orgasmo múltiplo para a ordem... Os apresentadores vão babar, a polícia vai atirar, gente vai morrer e os brancos, burgueses, alojados em suas casas de concreto, vão balançar a cabeça enquanto jantam, dizendo: “São uns animais...não têm alma, não conhecem a lei”.
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Alguma coisa é preciso fazer para defender o território tradicional dos povos originários. Já basta de tratar os povos autóctones como seres inferiores, como tutelados, incapazes. Quem invadiu as terras não foram eles... Eles estavam aqui, brincando, coletando, sendo felizes. Até quando vamos esconder a cabeça no buraco e fingir que não temos nada com isso? O primeiro passo é enviar uma carta a presidência da república, pedindo políticas públicas de proteção aos povos indígenas para o endereço protocolo@planalto.gov.br.
* O OLA é um projeto de observação das lutas populares na América Latina. www.ola.cse.ufsc.br
Fotos: Índias pataxós por Úrsula Bahia e Índios do Estado de Minas Gerais, participantes do prêmio Culturas Índigenas por Brenda Marques.
Leia também o Conto de Brenda Marques Pena baseado no mito indígena dos índios Maxacali no links abaixo:
http://recantodasletras.uol.com.br/contos/3775
http://www.cautionband.com.br/literatura.html |